quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O PODER DO SOFRIMENTO

Diariamente vemos notícias de sofrimento: enchentes, terremotos, furacões, crianças violentadas, mulheres estupradas, pais de família que vão para o trabalho e não voltam, filhos mortos diante dos olhos de seus pais. O mundo é cheio de sofrimento. Mas será que esse sofrimento todo é em vão ? Será que vale a pena ? Será que tem nenhum proveito ?

Ao longo das páginas da Bíblia Sagrada, vemos o problema do sofrimento tratado por muitos personagens bíblicos. O patriarca Jó levantou a questão: porque o justo e o inocente sofrem ? A resposta divina dada a ele não responde como gostaríamos, mas consola: podemos ter certeza que, se formos fiéis a Deus, todo sofrimento que passarmos estará debaixo do controle e do consentimento de Deus, e terá um propósito definido e glorioso, confirmando que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus.

O levita Asafe, nos salmos 37 e 73, trata de novo do problema, pois ele sentiu na pele as dúvidas e as inquietações que nos assombram quando vemos justos e inocentes sofrendo terrivelmente, enquanto os corruptos e sem caráter gozam a vida tranquilamente. Nesses dois salmos, a Bíblia deixa claro que haverá um acerto de contas, nesta vida e na futura, onde todo pecado cometido receberá o justo castigo, e que toda a bondade e justiça receberá a recompensa da s mãos do Criador.

O próprio Mestre da Galiléia, Jesus de Nazaré, sofreu terrivelmente desde o seu nascimento, a pondo de, já adulto, dizer que as raposas tinham suas tocas, os pássaros tinham seus ninhos, mas o Filho de Deus não tinha onde descansar sua cabeça. Além disso, Jesus deixou bem claro que as pessoas que quisessem segui-lo deveriam estar preparadas para sofrer, pois não iria ser nada fácil viver de acordo com seus ensinamentos. Em Mt. 10.22, Jesus lembrou que “sereis odiados de todos por causa do meu nome, mas aquele que perseverar até o fim, esse será salvo”, ele disse ainda em João 16.2 que iria chegar a hora em que quem matasse um cristão pensaria estar prestando um serviço a Deus, exatamente o que muitos radicais islâmicos pensam quando colocam bombas em igrejas pelo mundo afora.

O Jesus dos Evangelhos, o Cristo que ajudou as pessoas em seus sofrimentos, também sofreu muito, mesmo sendo inocente. Jesus pagou nossa salvação com sua vida, e por causa disso, ao longo dos séculos, milhares e milhares de pessoas tem dado suas vidas pela fé em Cristo.

Mateus, o escritor de um dos evangelhos, depois de converter à fé cristã a Etiópia e todo o Egito, foi traspassado por uma lança a mando do rei egípcio Hircano. Filipe, o santo apóstolo, depois de muito ter trabalhado entre nações bárbaras pregando-lhes a palavra da salvação, no fim padeceu em Hierápolis, cidade da Frígia, onde foi crucificado e apedrejado até a morte. Lá mesmo foi sepultado, juntamente com suas filhas. Todos os apóstolos foram martirizados de formas terríveis. Os tipos de morte eram tão diversificados quanto terríveis.

Tudo o que a crueldade da invenção do homem pudesse conceber para castigar o corpo humano era posto em prática contra os cristãos – açoites e flagelos, estiramentos, dilacerações, apedrejamentos, lâminas de ferro em brasa aplicadas aos seus corpos, profundas masmorras, rodas de tortura, estrangulamentos nas prisões, os dentes de animais selvagens, grelhas, patíbulos e forcas, os arremessos sobre os chifres de touros. E contudo, apesar de todas essas contínuas perseguições e castigos horríveis, a Igreja crescia a cada dia, profundamente enraizada na doutrina dos apóstolos e dos homens apostólicos e abundantemente regada pelo sangue de santos.

Em nossos dias, os sofrimentos dos cristãos continuam pelo mundo afora. Em 13 de junho, rebeldes maoístas no Nepal atacaram vários cristãos que estavam em uma reunião de oração. Os rebeldes mandaram parar a reunião. O pastor os ignorou e continuou com as orações. Então, eles o agrediram e depois atacaram as outras pessoas. Os rebeldes também queimaram Bíblias e hinários durante o ataque. Em 04 de maio, os membros do grupo extremista islâmico al-Shabaab mataram um líder da igreja em Xarardheere, Mudug, região da Somália, país da África. Eles saíram à procura de inimigos de casa em casa, até chegarem na casa de Yusuf Ali Nur, 57 anos, e como suspeitaram que ele fosse um cristão, então atiraram várias vezes à queima-roupa, matando-o. Yusuf era líder e professor numa igreja subterrânea e não tinha essa identidade revelada. Ele era casado e pai de três filhos com idades de 7, 9 e 11 anos. Son Englang, 35, pastor no vilarejo de Mallasi, no estado de Assam, foi morto e o seu corpo cremado sem ser previamente identificado e antes mesmo de sua família ser informada sobre a sua morte. Os familiares souberam do crime quando viram uma foto do corpo em um jornal. O corpo do pastor foi encontrado na rodovia 37, no dia 20 de maio. Ele tinha marcas indicando que suas mãos foram amarradas antes de ser baleado. Na manhã do dia anterior ele fora seqüestrado na manhã do enquanto ia de bicicleta fazer compras. A polícia local levou o corpo para o hospital, onde ele foi cremado sem antes ser identificado oficialmente.

Qual o crime dessas pessoas ? Servir a Deus e crer em Jesus como seu Salvador. Quando nos tornamos mais parecidos com Cristo, quanto mais nos unimos a Ele, isso quer dizer também ser mais parecido com Ele em seu sofrimento.

Rm 16.16: “O Espírito mesmo testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus; e, se somos filhos, também somos herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo; se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados”. A glória cristã está ligada ao sofrimento.

A obra redentora de Cristo alcançou inicialmente apenas os 12 apóstolos, mas ainda no primeiro século alcançou todo o Império Romano, e hoje no mundo inteiro encontramos pessoas que professam o nome de Jesus. Mas como 12 se tornaram milhões ? Como a Igreja de Cristo cresceu tanto ? A resposta é: sofrimento.

A tribulação e o sofrimento não são para nos entristecer, mas sim para nos fazer crescer espiritualmente, como escreveu o Apóstolo Paulo (Rm 5.3-5): “sabendo que a tribulação produz a perseverança, e a perseverança a experiência, e a experiência a esperança; e a esperança não desaponta, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.” A recompensa virá nas mansões celestiais, onde aí sim receberemos 100 vezes mais, como o próprio Jesus disse. “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome sua cru z e siga-me” (Mt. 16.24).

Jesus sofreu para mostrar a glória de Deus. Você está disposto a unir-se a ele no sofrimento para revelar a glória de Deus ? Está disposto a abrir mão de suas vontades, de seus desejos, até mesmo de sua vida, para anunciar o Evangelho de Cristo e glorificar a Deus entre os homens ?

Infelizmente para muitas pessoas, a resposta é não, por acreditarem num outro evangelho, um evangelho de prosperidade e vitória nesta vida, um evangelho onde Deus é um entregador de benção e Jesus é somente um despachante, e o espírito Santo não passa de um moleque de recados. Esse evangelho, tão aceito pelas pessoas hoje em dia, procura trazer o céu até a Terra em forma de riquezas, cargos e bençãos materiais de todos os tipos e tamanhos.

Mas o evangelho da prosperidade não irá fazer ninguém louvar a Jesus, irá fazer as pessoas louvarem a prosperidade. É claro que seria muito bom um Jesus que me desse um carro, um casa, um bom casamento, um bom emprego. Será que não é essa vida boa que Deus que que tenhamos ? errado ! Nós estamos muito errados em esperar em Cristo somente nesta vida, pois aí seremos as pessoas mais miseráveis de todas (1ª Co 15.19).

Lembremos as palavras do Apóstolo São Paulo, que declarava (Colossensses 1.24). Agora me regozijo no meio dos meus sofrimentos por vós, e cumpro na minha carne o que resta das aflições de Cristo, por amor do seu corpo, que é a igreja. Será que somos melhores do que Paulo, para não sofrer ?

Tiago recomendou à Igreja (5.10):” Irmãos, tomai como exemplo de sofrimento e paciência os profetas que falaram em nome do Senhor. Eis que chamamos bem-aventurados os que suportaram aflições. Ouvistes da paciência de Jó, e vistes o fim que o Senhor lhe deu, porque o Senhor é cheio de misericórdia e compaixão.”

Lemos ainda na Bíblia que quando os líderes religiosos judeus, tendo chamado os apóstolos, os chicotearam e mandaram que não falassem em nome de Jesus, e os soltaram; e eles saíram alegrando-se de terem sido julgados dignos de sofrer afronta pelo nome de Jesus. E todos os dias, no templo e de casa em casa, não cessavam de ensinar, e de anunciar a Jesus, o Cristo. As chicotadas, em vez de calar os apóstolos, os incentivavam a prosseguir na pregação do evangelho. Será que podemos fazer como eles ?

Finalizamos lembrando as palavras do apóstolo Pedro, que alguns consideram o primeiro papa (1ª Pe 3.17) “Porque melhor é sofrerdes fazendo o bem, se a vontade de Deus assim o quer, do que fazendo o mal”.