quarta-feira, 24 de março de 2010

EVANGELHO DO MERECIMENTO versus EVANGELHO DA NECESSIDADE


Em Lucas 7. 1-10, encontramos um episódio muito interessante na vida de Jesus: a cura do empregado de um centurião romano (comandante de uma centúria, ou seja, 100 soldados).
Nos chama a atenção, em primeiro lugar, as palavras dos anciãos dos judeus que moravam naquela região, ou seja, pessoas importantes, líderes daquela comunidade judaica. Foram eles que levaram a Jesus o pedido do oficial romano, e até mesmo procuraram “dar uma forcinha”, dizendo que o oficial merecia ser atendido (“é digno que lhe concedas isto”), pois amava a nação judaica (algo espantoso para um romano) e tinha construído com seus próprios recursos uma sinagoga, ou seja, uma espécie de igreja para os judeus daquela cidade.
Nos dias de hoje, uma autoridade não-evangélica que simpatizasse com os crentes e construísse uma igreja para eles seria também muito considerada...
As palavras dos judeus nos chamam a atenção porque expressam bem uma idéia comum naquela época: quando somos merecedores, Deus nos abençoa. Essa idéia, além de fazer parte da cultura judaica, também está muito presente no meio cristão: se formos dizimistas fiéis, ofertantes mão-aberta, obedientes aos mandamentos, então Deus nos abençoará.
Esse é o evangelho do merecimento, que aparece novamente na história do fariseu e do publicano. O fariseu não orava, mas apresentava a Deus seu currículo: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo. Mas ele não saiu justificado para sua casa.
Agora, a lição do oficial romano é diferente: ele diz a Cristo que não é digno (ou seja, não merece) que Jesus vá até sua casa curar seu empregado, mas bastava dizer uma palavra, e seu empregado ficaria bom. E acrescentou “Porque também eu sou homem sujeito à autoridade, e tenho soldados sob o meu poder, e digo a este: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu servo: Faze isto, e ele o faz”, com isso, queria deixar claro que, se ele, um simples homem, tinha autoridade para ordenar e ser atendido pelos seus soldados, muito mais o Senhor Jesus.
Este é o evangelho da necessidade, em que se reconhece que não somos merecedores de nada, pois até a própria salvação nos foi dada de graça, pela misericória de Deus. Neste evangelho, as bençãos vem à nossa vida não porque mereçamos, mas porque precisamos. Neste evangelho, reconhecemos que Deus está em cima e nós embaixo, que Deus é Senhor e nós somos servos.
Voltando à história do fariseu e do publicano, a atitude deste era radicalmente oposta à do primeiro: nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: O Deus, tem misericórdia de mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele.
Qual está sendo nossa atitude hoje em dia ? Fariseus ou publicanos ? Oficial romano ou anciãos dos judeus ? Merecedores ou necessitados ?
O resultado ?
“Porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado” (Lucas 18.14).

quarta-feira, 10 de março de 2010

Guia profético 2010 - parte 1

Visitando o site do Ministério Terra Santa (http://mts.org.br ), encontrei o interessante GUIA PROFETICO 2010. Em seu terceiro tópico, dizia:“O ano de  2010 será o estabelecimento de uma Nova Geração:Esta nova Geração está pronta  para substituir uma liderança ultrapassada, sem visão e permissiva. Serão levantados os políticos jovens de grande visão nacional – social e os novos e conquistadores ministros do Evangelho. Eles trarão uma grande transformação as nossas nações.”.
Não é de hoje que se fala de uma “nova geração” de evangélicos como se fosse uma espécie de “salvação da lavoura”. Pode dar a impressão de que tudo que tivesse sido feito pelas antigas gerações não fosse aproveitável, esquecendo-se que foi essa primeira geração que desbravou florestas e igarapés, pregando o evangelho a ribeirinhos e agricultores, enfrentando (como aqui na minha Região Norte) ataques de malárias, cobras, onças, além de horas remando em rios e atravessando matas, não para profetizar ou buscar dízimos e ofertas, porém movidos pelo “ide” de Jesus.
É preciso muito cuidado para não supervalorizar o novo, até porque este tem suas virtudes, assim como o antigo; porém, se mal encaminhado, pode trazer grandes problemas. Afinal, não podemos nos esquecer que no livro de Juízes, menciona que após a morte do líder Josué e de sua geração, surgiu “uma nova geração que não conhecia o Senhor, nem a obra que havia feito sobre Israel”. Essa “nova geração” viveu numa gangorra, às vezes embaixo (oprimida pelos filisteus, amorreus e outros “eus”) e às vezes por cima (quando se arrependia e clamava ao Deus da antiga geração).
Vigiemos e oremos.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Comércio da fé

I
Tem camisa com nome bem escrito
Tem bonezinho pintado e estiloso
Tem disco com cantor ruim, fanhoso
E trancelim com pingente esquisito
Vendem pulseira com o nome Cristo
Também o bom óleo da unção
E os lobos enricando de montão
Té parece que fazem por pirraça
No comércio da fé Jesus não passa
De um produto vendido à prestação

II
O "pastor" faz ginástica e aliena
"Foi Jesus quem mandou tem que pagar
E tá no Inferno aquele que negar
E pague logo porque vale a pena"
Muito triste contemplar a cena
Desses lobos roubando a multidão
Pastoreiam bolso de irmão
Falso profeta em meio da massa
No comércio da fé Jesus não passa
De um produto vendido à prestação

III
Retratinho, santo, escapulário
Livro, reza, receita de oração
Tem de tudo na feira da ilusão
Depenam e lhe levam o salário
Tem a fala mansinha do vigário
Do “pastor” vigarista, espertalhão
Que formou-se no curso de ladrão
Tenho um nojo danado dessa raça
No comércio da fé Jesus não passa
De um produto vendido à prestação

IV
Tem o padre da coreografia
Se rebola para atrair fiéis
Vende broches, pulseiras, e anéis
Caso pudesse vendia a sacristia
Inda chama-se filho de Maria
É mentira não creio nisso não
Maria não foi mãe de ladrão
Ela foi uma mulher Cheia de graça
No comércio da fé Jesus não passa
De um produto vendido à prestação

V
Caso Cristo resolvesse aqui andar
Ensinando, pregando, dando exemplo
Expulsava esses vendilhões do templo
Com chicote no lombo até ralar
E dava um banho de sal pra ajeitar
Esse bando de enganador ladrão
Sou pastor e me sinto na razão
Comem dinheiro parecem uma traça
No comércio da fé Jesus não passa
De um produto vendido à prestação

Fonte: http://veshamegospel.blogspot.com/search/label/Comercio%20da%20F%C3%A9